
Mata-me de rir.
Faz-me gritar silenciosamente, calmaria.
Chora os teus súbitos desejos.
Desalinha o olhar, desgrenhando os passos desacertados.
Te deixa molhar, lágrimas são passageiras.
Não te incomodes, flechas lançadas não regressam.
O nada sempre se vai, não seria uma questão de escolha tua.
Serias capaz de montar o relógio dos anos?
Ensaias os passos, os beijos, e acima de tudo, as palavras.
Rasgues o sentir, e todos os escritos, ordem.
Retiras a poeira sufocante do inverno, intenso.
Teu desprazer inunda todo o chão, não retira o amor condolente.
Permaneças sentada, ouves a canção, melodia sem notas.
Despidas o ódio, afloras o desconhecido, põe-me ao lado.
Recites pensamentos, eles são tesouras que dilaceram o futuro, se houver.
Incerteza, que não esqueça.
Se és seguramente precisa, a dor não te cega.
Não esqueças de cuidar das flores que descansam na janela, delicadas.
Deixe-se encobrir pelo véu das estrelas, na noite sem desamores.
Permitas a chegada das voltas.
Reprimindo o todo sufocante.
Remoendo as mágoas, o frio.
Desvendes o teu próprio ser, se assim te aprouver.
Procures o infindável, a busca, o encontro.
Arranca-te de ti.
Mergulhes, no final.
Encontra-te contigo, Extinto.
Por: Rafael Gomes