segunda-feira, 28 de junho de 2010

Simplesmente, Neve


Todas as manhãs ele acordava sorrindo a noite passada.
Parecia agradável viajar sem sair de sua cama.
Tinha todas as mais belas estrelas girando ao seu favor.
O mundo parecia finito, tão finito.
Era encorajador adotar uma forma mais simples e enxuta de viver.
Com um olhar, arrancar os mais desejosos suspiros cintilantes
Ao andar, sentir-se sempre mais vivo.
Parece que aprendeu a cravar suas palavras nas rochas espalhadas na imensidão.
Não possuía muita coisa, apenas o desejável para seguir caminhando.
Viver era o que mais fascinava.
A força que o movia era a força dos fracos.
Nas noites em seu quarto, observava como os flocos de neve alternavam antes de chegarem ao chão.
Ele adora ver a neve invadindo as ruas, adorava.
Não era alguém demasiadamente especial.
Pois, não precisaria ser notado por onde andasse.
Só quis ter o seu lugar, apenas isso.
Como qualquer ser, não compreendia a profundidade e obscuridade do oceano amor.
Acreditava que a chuva era o recolher de lágrimas que ainda não foram vistas.
O vento, era o sussurro apaixonante e triste dos amantes proibidos.
Pois, amar é proibir, inibir, deixar de ser.
Nos dias frios do fascinante inverno, visitava o café da esquina, frequentemente.
E em um gélido dia encontrou um amor que transtornaria sua calmaria.
Os dois aquecidos corações amaram-se intensamente.
Mas em um dia cinza, tão cinza, ela se foi, sem volta.
Ele vive a vagar em um nada desconsertado.
Guardando consigo os momentos intensos e incertezas.
Todas as noites ele crava pegadas na neve do quintal para que ela o possa encontrar.
E esperançoso dorme, dorme.
Pois, o amor se vai como a neve que simplesmente se deixa cair por sobre o chão sutil, tão sutil.

Por: Rafael Gomes

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Could Fly


Preso aos pensamentos que me arrancam noites inteiras de sono, Eu vou.
Procuro respostas, respostas complexas.
Falam que as tais estão bem dentro de mim, dentro de mim.
Sonho com o dia em que possa ser ouvido e compreendido como deveria.
Profundamente, gostaria de ter pessoas eternizadas para todo o sempre.
Sei que preciso ter a coragem de enfrentar-me.
É momento de abrir as portas da casa.
Seria a hora de correr descalço sem temer ferir-me.
Desejar viver é decidir voar sem asas.
É não ter medo de algo chamado, futuro.
Aprender a amar é me compreender antes de tudo.
É ter simplesmente, algo com que se possa sonhar.
Não existem dias maus, apenas dias em que não estamos preparados para viver.
E hoje, sei que isto não é o fim, não o é.
Às vezes parece complicado andar fora de ritmo.
Bom é compor seu ritmo próprio.
Interessante é surpreender, viver o inesperado.
Pois, viver é seguir esperando.
É acreditar, é arriscar, entregar-se sem reservas prévias.
Eu vou, as respostas estão próximo, as sinto.
É que só hoje percebi que sou capaz de voar, de voar.

Por: Rafael Gomes

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Quando a voz calar


Mesmo que um dia a minha voz cale, as mãos trêmulas não cessarão de escrever ínfimas palavras.
Minha amada, espera-me, conservando sua terna juventude.
Eu irei a galopes eternos, por toda vasta planície ao seu encontro.
Espera-me na janela com a velha rosa que lancei ao alto, quando parti.
O nosso encontro ecoará na face dos anos, será o esplendor de dois cometas brilhantes.
Guardo comigo o teu perfume e todas as cartas.
Se agora não podemos estar juntos, foi por culpa da desencontrada rima que tocou na hora errada.
Ás vezes ouvimos coisas que nunca deveriam ter sido ditas, não deveriam ter sido ditas.
Suspeito que tuas manhãs sejam frias, como são aqui.
Sinto que talvez seja tarde.
Todas as noites, ouço o tinir das gotas de solidão que passam e passam.
Eu fico em silêncio, parado em meio á angústia.
Corro e corro pelo quarteirão, sem sair do lugar.
Meus pensamentos me congelam, sinto um adormecer envolvente, envolvente.
Abro o meu baú, mergulho em antigos sonhos, e lá eu te encontro, e lá eu te encontro.
Quando regressar, cerrarei todas as portas para que não possa ir embora.
Se ao te encontrar, a minha voz falhar, ouça o som apressado do meu coração, apressadamente.
Há horas em que eu me perco em meio ao todo nostálgico.
Não é simples encher cálices de esperança com águas que já se foram.
É como viver sem esperar que um dia se acorde, se acorde.
Sigo dormindo, sonhando, mergulhando em meio ao baú, todas as noites ausentes de luar.
Posso te buscar só pra mim.
Desta forma eu irei, sim, irei ao teu encontro.
E se neste dia a minha voz calar, ouça o silêncio infinito e amargo que sai das minhas trêmulas mãos.

Por: Rafael Gomes

sábado, 1 de maio de 2010

Considerações


Só me restaram palavras.
Todos os rios correram por aqui.
O relógio do mundo atrasou.
Os nossos momentos produziram um arco sem cores.
Nas tardes vivas, te sentia mais próximo.
Estás perto e longe.
Pareço um caminho sem volta.
Pareces um mar sem ondas.
Ainda sinto aroma de vida, em meio às cinzas.
Te vejo forte e sorridente em meio à lama.
Me sinto sem vigor.
A solitária solidão assusta-me por completo.
A xícara transborda.
Não restam forças aqui dentro.
A complexidade de viver atrapalha e fere aos que sentem.
Dos que vagam pelas ruas, extraímos a coragem de fugirem das tolas fantasias.
Porque sempre soube que tudo tem fim.
Só não aprendi o que há depois que o fim vai embora.
Sempre nos falam que o começo vem antes do recomeço.
É impossível recomeçar o que não se começou.
Vozes são manifestações racionais de uma alma sem sentido.
A solidão é apavorante aos que não aprenderam a marchar desnudos de companhia.
Felizes os que aprendem a caminhar com suas próprias pernas.
Ainda existem os que procuram uma metade perdida.
Alegres são os que sonham com olhos abertos, pois não esquecem que são sonhos.
Um basta pode ser doloso, mas antecipa o não.
Prefiro ver o mar, antes que ele também vá embora.
Creio no que move-me além.
Devem-se seguir os trajetos que nos levam ao fim do arco.
Todos querem alcançar as nuvens, um dia.
Resta saber se elas nos querem por lá.
As vidas se interligam nos laços do tempo.
O amor, ficou aos que por nada mais se interessam.
O sentido aos que procuram o sentir.
Fechem os olhos.
São considerações, meras considerações.
É importante que saibais.
Antes de tudo o que faz sentido e que deve ser considerado.
Considera-te a ti mesmo.

Por: Rafael Gomes

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Madrugadas


Eu fui e retornei, mas de nada lembro-me.
Vejo que esqueci alguns sentimentos nobres e frias emoções espalhadas por sobre a estrada.
Sinto algo novo, desconhecido até então.
Parece que me tornei um novo alguém.
Eu procuro paz, a mesma de sempre, mas, a guerra insistemente bate à porta.
Os sonhos, procuro, reviro os armários, sei que os guardei bem.
A essência da vida, escondi no nosso jardim dos fundos e isso era nosso segredo.
Os sorrisos, deixei aos que mereciam.
As lágrimas que correram, as enxuguei.
Os desejos sinceros e íntimos ofereço-te.
A solidão, ainda insiste em permanecer.
Um antigo alguém acordava-me todas as madrugadas.
Para falar-me que partiria sem prévios avisos, algum dia.
Contava-me os seus segredos mais belos, dos seus sonhos profundos, dos seus desejos sem sentido.
Inundava minha cama com suas lágrimas e irreversíveis pensamentos tolos.
Porém, esquecia que eu também era um alguém.
Gritava e sussurrava bobas palavras.
Eu as esqueci, as joguei por onde passei.
Cumpristes tuas promessas.
Abandonaste-me.
Um novo alguém sorriu para ti.
Deves seguir o que tens contigo.
Pois, eu comigo nada tenho.
Apenas um pouco de amor retido em um antigo e pequeno vidro.

Por: Rafael Gomes

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Culpado


Do que acontece, das horas que se passam.
Dos dias que se vão, dos que não vão embora.
Da vida que acabou, do sorriso que não transparece mais.
Das borboletas que já não voam.
Das flores que não exalam o doce perfume.
Das abelhas que não produzem o mel.
Da chuva que não molha mais.
Dos ventos que não mais te encontram.
Dos jardins que já não são mais secretos.
Dos sonhos que secaram feito a água do deserto.
Do tempo que não volta mais.
Do relógio parado nas linhas.
Dos rios que correram.
Da maré que secou.
Dos amores perdidos.
Das paixões que esfriaram, fugiram.
Do horizonte infinito.
Das vidas que você perdeu.
Da chama que apagou.
Das estrelas que perderam o sentido de brilhar.
Das lágrimas que insistem em rolar.
Do querer estar perto.
Das fogueiras que não aquecem o frio da alma.
Das palavras ditas e que não voltam atrás.
Da realidade que insiste em nos acordar do surreal.
Do medo da solidão.
Do convívio que fez o amor virar rotina, bom dia.
Do que ainda querias viver.
Das respostas que avivam ou exterminam a esperança.
A quem culpar?
Sou culpado.
Sou culpado.
Pois esqueci o que é o amar.

Por: Rafael Gomes

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Proibido


Falam as más línguas que não sirvo pra você.
Sua família, que sou ilegal
Meu bem, sou proibido para ti.
Eles não aceitam o meu raro estilo de vida.
Sou boêmio, vivo e escrevo da noite.
Passo madrugadas inteiras debruçado sobre a antiga escrivaninha do meu avô.
A arrancar sentido de palavras vagas.
Eu vivo e morro dos meus ilusórios sentidos.
Sonho com o regresso das lembranças passadas.
Amanheço no boteco da esquina, comendo pão quente com manteiga e um copo de água gelada.
Não uso guarda-chuva nos dias de chuva.
Ando de suéter marfim no verão.
Abraço pessoas, mesmo sabendo que me apunhalarão adiante.
Me agrada escolher uma estrela nova todas as noites.
Eu não sou tudo o que és.
Eu sou do contra.
Minhas lágrimas estão presas nas linhas do tempo.
Os sorrisos, perdidos na imensidão do nada.
O meu jeito de amar é retrógrado.
Apanho as rosas do campo, com as mãos feridas.
Acordo sorrindo a dor da solidão.
Meu bem, parece que não sirvo.
Meu bem, eles falam que sou proibido.
Pois, eu vivo vivendo as frestas de vida que lhes escapam das mãos.

Por: Rafael Gomes